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Ricardo Trade, o homem que integrou Educação Física e gestão para organizar a Copa

28/08/2014

Por Viviane Sant’ Anna

A máxima, “por trás de um grande líder sempre existe uma grande equipe” funciona muito bem para Ricardo Tarde – o Baka. Formado em Educação Física e Administração, CEO e Diretor Executivo de Operações e Competições do Comitê Organizador Local (COL) da Copa do Mundo no Brasil, Trade credita o sucesso a uma boa equipe.
Homem de missão, como ele mesmo se intitula, casado, pai de três e dono de seis cachorros Trade conta com orgulho sobre o início da sua carreira como goleiro de handebol, e fala sobre o desafio de realizar a Copa do Mundo de Futebol em terras brasileiras.
1–    Após 8 anos como goleiro da seleção brasileira de handebol, técnico e árbitro. Como a formação em Educação Física contribuiu para a sua carreira?
O meu técnico Lincoln Raso penava muito pra sobreviver dando aulas como prof. de Educação Física, e ele mesmo nos aconselhava: ‘oh a profissão é maravilhosa, mas não é fácil sobreviver. Escolham o que vocês quiserem, mas lembrem-se disso’. De imediato eu fiz Administração, tive a influência pelo fato do meu pai ser dono de uma farmácia, então eu pensei na gestão. Mas como sempre vivi no esporte me formei em Educação Física.
Hoje a Educação Física está sendo mais reconhecida. Eu acredito que será cada vez mais natural o requisito da graduação para atuar. Porque se você parar pra pensar, como uma pessoa que não entenda de Fisiologia pode ser preparador físico? Como vai saber a carga ideal para uma criança, por exemplo?
Entendo também que a valorização dos profissionais de Educação Física é mais que policialesca, mas sim um reconhecimento. Acho que além do diploma é preciso ser uma pessoa esclarecida e valorizar a sua própria profissão.
2–    Em 2012 o Globo estampou uma notícia com seguinte a manchete: “Ricardo Trade, o homem com a difícil missão de organizar a Copa”. Foi difícil mesmo essa missão? Como foi receber o convite para ser CEO do Comitê Organizador Local? O que passou pela sua cabeça na hora?
A missão se tornou fácil na medida em que se tem uma equipe boa. Esse é um ponto fundamental montar uma boa equipe e ter participado de esportes coletivos. Aproveitar as especificidades de cada um, como por exemplo, o Frederico Nantes que é nosso gerente geral de competições e é professor de Ed. Física. Poder trazer especialistas foi um mérito nosso, que eu nem credito a mim, mas sim à gestão do presidente Ricardo Teixeira e depois ao presidente Marin que nos deixaram fazer desta forma. Isso fez com que pudéssemos transformar o que é difícil em desafios, e enfrenta-los com profissionalismo, gestão, e com as pessoas certas nos lugares, acho que esse é o grande segredo. Afinal ninguém faz nada sozinho! Ter o apoio da minha família, filhos e esposa com as minhas ausências também foi fundamental para tornar este desafio possível.
Confesso que fiquei surpreso em trabalhar com o futebol que até então não era um horizonte que eu enxergava pra mim. Mas, a primeira pergunta que eu fiz pro Ricardo foi: Posso montar a equipe? Ele falou: ‘sim’. Então eu topei.
E aí sim a surpresa se transformou em ansiedade e muito trabalho. Pedi a ele que eu fosse, imediatamente, pra Copa da África não só observando, mas trabalhando. Isso pra mim foi um diferencial que é viver por dentro, estar ali, sentir as dificuldades.
3–    Qual o melhor e o pior momento em estar à frente da organização da Copa do Mundo no Brasil?
O melhor foi a sensação de dever cumprido exatamente no final do último jogo da Copa das Confederações e do Mundo. Eu me considero um homem de missão, e no final dos últimos jogos eu senti que entreguei o que me comprometi. A gente ainda tem um caminho a trilhar, que é desmontar tudo, mas a entrega estava feita. O pior foram as manifestações que se confundiram com anseios legítimos da população brasileira, quanto ao esporte, à saúde e à educação com a não realização da Copa no nosso país. Esse momento foi difícil, a imagem de caos e de que não conseguiríamos fazer afetava a nossa percepção lá fora. Não era bom para nós, para o nosso país, eu achava isso um tiro no pé. Tivemos que superar com a comunicação e com um trabalho firme, mas, eu nunca pensei em desistir, até porque tinham pessoas ao meu lado que acreditavam comigo.
4-    Como classifica a eliminação da seleção brasileira?
O Brasil foi um dos 32 países que tínhamos que cuidar e bem. Não podíamos fazer nenhum tipo de diferenciação. Como torcedor eu torci ao extremo pelo Brasil, amo futebol, amo o Brasil.
Como organizador do evento a gente torce para que o país anfitrião siga o mais longe possível na competição, pois isso manteria vivo o interesse da população brasileira no evento em si. Mas, eu acho que foi tão bacana o futebol em si que independentemente do Brasil, a Copa se tornou um sucesso pela qualidade do futebol, pela paixão, e emoção do brasileiro em ver grandes craques no nosso país. Isso foi um ponto bem bacana.
5-    Joseph Blatter deu nota 9,25 à Copa do Brasil. E qual nota o torcedor Ricardo Trade dá?
Eu estava na coletiva de imprensa nessa hora (risos), e um jornalista fez essa pergunta ao Blatter que respondeu: ‘tem que dar uma nota’? e então ele deu 9,25. Como torcedor eu daria mais, algo perto de 10. Mas, acredito que essa nota poderia ser maior se nós soubéssemos que seria tão bom teríamos nos preparado melhor. Perdermos algumas oportunidades. O bar da esquina, por exemplo, não investiu tanto, pois ficou com receio das manifestações depredarem tudo.
Mas, trouxemos para o nosso país a certeza de que somos capazes. O caos que se previa no transporte aéreo, na energia, e quanto à falta de comunicação não se concretizou. As pessoas falavam, viajavam, e tiveram energia. O legado de segurança pública com centros de comando para cada uma das 12 sedes. Um local onde todos os entes sentem-se juntos e tenham lá a sua Defesa Civil, Bombeiros, Policia Civil, Policia Militar para operarem juntos a cidade, e num desastre qualquer ou numa catástrofe todos possam reagir em conjunto é algo muito bom.
Quem sabe nós podemos seguir o exemplo da Alemanha com um boom muito grande no futebol. Nós temos estádios bons, com iluminação boa, telões e toda infraestrutura necessária para isso.
6-    Como foi trocar as quadras pelo escritório? Sente falta de atuar como preparador físico? Voltaria se pudesse?
Foi muito tranquilo. O meu esporte não te dá a chance de jogar depois de veterano, porque exige muita virilidade, eu não posso brincar de jogar handebol. Eu sempre gostei de esporte de uma forma geral, e o meu técnico dizia assim: ‘façam tudo, porque quanto mais vocês jogarem tudo, mais o acervo motor de vocês vai melhorar, e com isso você vai se tornar um atleta melhor naquela sua especialidade’. Então eu jogava tudo, adoro brincar de basquete, de futebol, andar de bicicleta, aliás procuro andar todos os dias de bicicleta. Adoro caminhar com os meus cachorros (que são seis…rsrs). Fui para o escritório, aliando o esporte, algo que eu amo, com a gestão podendo atuar para melhorar os desportos. Pra mim isso passou a ser uma dívida de gratidão com o que o esporte me deu.
Me lembro de algo que o presidente Nusman do Comitê Olimpíco me falou quando eu trabalhar com a seleção brasileira: ‘técnicos eu tenho aos montes. Eu preciso de gestores. Você é formado em Educação Física, Administração, fala inglês então venha me ajudar na gestão’. De fato eu me direcionei pra isso. Me senti preparado pra aceitar o desafio.
7-    Falta no profissional de Educação Física uma visão mais de gestão e empreendedora, você concorda?
Sim. Eu já fui professor de musculação em Juiz de Fora, trabalhei como prof. de escolinha de voleibol, e sei todas as fases, sei como isso é difícil.
Ganhava dinheiro dando aula em vários lugares. Depois percebi que poderia investir e atuar num lugar só, na área de gestão. Trabalhar com esporte de alto nível numa empresa de eventos, foi onde eu consegui gerir um pouco mais a minha carreira. O fato de ter trabalhado em várias frentes de atuação na Educação Física foi importante para eu ter a visão mais abrangente que tenho hoje.
8-    E o handebol ainda é uma paixão? Como começou sua carreira?
O handebol me abriu todas as portas, por isso eu tenho o maior orgulho em falar disso. (Veja acima uma foto do Baka como goleiro)
Minha carreira começou aos 11 anos. Eu estava num torneio da escola, e o técnico da seleção da manhã – Lincoln Raso me viu jogando e ficou curioso. Naquele jogo nós perdemos de 51 a 9. Até o 12º gol era um outro goleiro que não ia na bola, aí eu entrei e tomei mais 39 gols indo em todas as bolas. O técnico começou a falar :‘esse garoto é bom’ e virou pra mim e disse: ‘quero que você seja o meu goleiro’ e eu falei: não posso, meu pai não deixa. Mas, ele foi conversar com o meu pai levando o filho da mesma idade que a minha. Meus pais aceitaram, teve aquele receio normal, mas eles viram que eu queria tanto e concordaram. Então eu comecei num clube de Belo Horizonte – o Ginástico. Minha vontade era tanta que eu brincava com o meu irmão de imitar as pontes maravilhosas que um goleiro do Flamengo fazia nessa época – o Marco Aurélio. Ele voava. A gente ficava jogando a bola na parede pra ela voltar e eu fazia uma ponte imitando ele. Meu pai via que eu adorava ser goleiro. Um presente pra mim era me dar uma bola, uma camisa de goleiro.
Hoje a idade, o peso e os dois joelhos operados já não permitem fazer aventuras como essas, no máximo nadar, andar de bicicleta (risos).
9-    Uma mensagem para os profissionais de Educação Física:
‘Faça o que você fizer, mas faça o melhor que você pode fazer’. Se eu vou ser um prof. de voleibol, eu vou ser o melhor. Eu não vou ser apenas um médio professor, um médio técnico. Procure se capacitar, isso é um ponto importantíssimo, ninguém sabe tudo. E a capacitação muitas vezes demanda sacrifícios de dinheiro, de tempo, até de voluntariar-se. Muitas vezes eu trabalhei de graça para aprender. Ser profissional não é só saber cobrar não.
Faça uma segunda, terceira língua, isso é muito importante e até como profissional de Educação Física pode abrir vários horizontes. Eu tive profissionais maravilhosos que não falavam inglês, mas na hora da escolha em algumas posições não tinha como não ter fluência nesse idioma.  
 

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