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Uso de esteroides altera os níveis de hormônios da tireoide e o metabolismo da glicose

16/01/2017

Pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) comprovaram que o tratamento com o esteroide anabolizante (EAA) altera hormônios da tireoide e metabolismo da glicose, como resistência insulínica e alterações nas vias de produção de glicose no jejum.  Esses dois estudos demonstram que a utilização crônica de EAA pode levar a alterações dos hormônios do organismo que acarretam modificações importantes nas taxas de glicemia, colesterol e triglicerídeos, impactando negativamente a saúde dos indivíduos que fazem uso dessas substâncias.

Esses dados serão fundamentais para a conscientização da população em geral e dos Profissionais da área de saúde, dentro os quais os de Educação Física, sobre os efeitos colaterais relacionados à utilização de anabolizantes. “É muito importante que esses profissionais estejam bem informados para poderem esclarecer o público sobre esse tema, exercendo assim, seu papel de promotores de saúde e bem-estar da população”, afirmou o coordenador do estudo, Rodrigo Fortunato, que comanda a pesquisa junto com o aluno de mestrado, Luiz Fernando Fonteboa.

Para o presidente do CREF1, Prof. André Fernandes, qualquer pesquisa no âmbito da saúde é importante para os profissionais de Educação Física estarem conectados com o que há de mais novo sobre o assunto. Ele também afirmou que muito se discute sobre o uso e esteroides anabolizantes em competições esportiva, que possuem órgãos de fiscalizações próprios para coibir o uso dessas substâncias, e para fins estéticos.

“É importante que em locais e práticas de exercícios, como academias, estúdios, clubes, entre outros, sempre exista a figura do profissional de Educação Física devidamente habilitado no Conselho, que irá orientar de forma segura e eficiente a prática de exercícios sem a necessidade do uso de substâncias, disse Prof. André Fernandes.

O presidente faz ainda um alerta. “Tenha sempre cuidado quando for buscar informações nas redes sociais ou com pessoas sem formação, para que a busca por uma estética melhor não afete a saúde e acarrete problemas com consequências muito sérias no futuro”. Na dúvida, ao iniciar um exercício físico, consulte o CREF1 para saber se a pessoa que está orientando a sua atividade é um profissional habilitado.

Recentemente, os pesquisadores também concluíram um estudo que mostrou que a utilização de doses elevadas de anabolizante aumenta a produção de radicais livres em tecidos como fígado, rins e coração. “É importante ressaltar que os radicais livres podem interagir com macromoléculas celulares como lipídeos, proteínas e ácidos nucleicos, o que está associado à fisiopatologia de diversas doenças como diabetes, câncer e infarto do miocárdio”, afirmou o pesquisador.

No momento, duas pesquisas estão em andamento com praticantes de musculação que relataram o uso de esteroides, no qual estão sendo avaliados: a produção e detoxificação de radicais livres no sangue e suas consequências fisiológicas; a relação entre hipertensão arterial e o sistema renina angiotensina, sistema hormonal que está relacionado ao controle da pressão arterial; além da avaliação de marcadores inflamatórios.

Os EAA referem-se a compostos sintéticos derivados da testosterona. A ação fisiológica da testosterona desenvolve efeitos divididos em duas categorias principais: os androgênicos e os anabólicos. A primeira categoria diz respeito à função reprodutora e manutenção das características sexuais masculinas e a segunda categoria, sobre a estimulação do crescimento e maturação dos tecidos não-reprodutores, como exemplo, o tecido muscular e ósseo.

No início dos anos 50, fisiculturistas e halterofilistas começaram a utilizar os EAA com o objetivo de melhorar a aparência física e o rendimento atlético. A utilização dos EAA vem aumentando em larga escala desde a década de 70, se disseminando também entre os praticantes de outras modalidades esportivas e praticantes de exercício recreacionais. As doses utilizadas por esses indivíduos chegam a ser em torno de 100 vezes maiores do que as concentrações fisiológicas de testosterona, e estão associadas a uma série de efeitos colaterais que variam de acordo com a dose e o tempo de administração das drogas, sendo alguns deles irreversíveis.

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